terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Da imaginação pueril ao individualismo do mini adulto.

Eu como criança vivi em um mundo de fantasia, tudo era mágico e belo. Tinha um monte de amigos, que se reuniam na minha casa quase diariamente. Temos ainda hoje um quintal bem amplo, cheio de arvores, lugar ideal para as nossas traquinações. Não foram poucas as vezes que revivíamos a descoberta do Brasil e tantos outros momentos históricos em meio a mangueiras e cajueiros. Armados de varas e pistolas d’água guerreávamos uns conta ou outros, o que quase sempre acabava com um briga de verdade. Lembro bem de uma vez que meu primo ofendeu o meu irmão falando de nossa mãe, o famoso FDP em nossos dias, eu fiquei mais que furioso e fomos às vias de fato, no outro dia estava tudo normal. E sempre foi assim, brincávamos, brigávamos e voltávamos a ser amigos, como se nada tivesse acontecido. Mais além de nossas guerras fantasiosas e de tantas outras traquinagens, tínhamos um companheirismo impressionante, a preocupação quando alguém ficava doente ou se machucava de verdade, o senso de partilha também era bem arraigado, um subia no cajueiro e jogava os cajus para os que estavam em baixo, outro se aventurava em roubar mangas no terreno vizinho e partilhava com os outros. Éramos muito felizes, não tínhamos dinheiro nem brinquedos caros, mas viajamos o mundo todo, pela Europa com seus castelos medievais, pelas savanas africanas lutando com leões e elefantes e pela ficção americana, principalmente no velho oeste. Bons tempos àqueles que tanto contribuíram para a formação da minha personalidade. Olhando para as nossas crianças eu temo como elas serão,pois são crianças onde impera o individualismo da internet e do videogame, o egoísmo que não partilha mais quer tudo para si e a falta de imaginação que dói em meu coração. Crianças que olham para paus, caixas e um monte de parafernálias e veem apenas aquilo. Para nós isso seria um festa, um castelo era construído imediatamente ou um poderoso forte de guerra que impedia que qualquer exercito chegasse até nós. Onde iremos parar assim? Digo-lhes que chegaremos a um homem seco, sabemos bem que a formação da personalidade humana se dá na infância, teremos apenas esses sintomas agravados na adolescência e um jovem com uma grave falta de dinamismo para sair das situações que a vida lhe impõe, que terá uma tendência a depressão, por que não terá mais tanta facilidade de lidar com os próprios problemas, pois a sua imaginação não foi bem desenvolvida. Uma pessoa fechada em si mesma, egoísta e com dificuldades na socialização. Façamos algo por nossas crianças, tiremos elas da frente da internet, da TV, do videogame e entreguemos a elas as armas da imaginação, a companhia dos amigos, a pureza de ser criança e lhe tiremos dos ombros o fardo de serem adultos em miniatura.

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